A generosidade está no gene.
Segundo o artigo na Folha, os pesquisadores deram uma quantia em dinheiro paras as pessoas testadas, quase 50% dos que tinham disposição em doar todo o dinheiro ou mesmo parte dele eram portadores do gene AVPR1 ou de variantes desse gene.
Como esse gene estimula a liberação de arginina vasopressina, que é um hormônio que atua no cérebro eles concluíram que a generosidade pode ser uma herança genética. Simples assim! Simples até demais, esse pessoal tá ficando maluco ou com preguiça de pensar?
Olha, ou eu sou muito burro e não consigo definitivamente entender como esses homens da ciência trabalham, ou essa é uma das conclusões mais estúpidas e precipitadas que já ouvi nos últimos tempos, é preciso ter um pouco de senso crítico!
O tal hormônio atua em uma área do cérebro que está ligada ao altruísmo, tá e daí? Quer dizer que se a pessoa não possuir o gene ela está condenada a ser um grande egoísta o resto da vida? Cadê o meio social, a educação formal e moral, cadê a vontade própria de mudar o seu comportamento? Vai ser simplista em outro lugar!
Isso é determinismo radical puro! Isso é pior que dizer que alguém reencarnou com a missão de só se ferrar na vida, ou que Deus vai te lançar ao fogo do inferno eterno se você não se arrepender. O que acho engraçado nesses tipos de conclusões científicas é que parece que os caras estão fundando uma espécie de religião, a do determinismo genético, o que mais ele criticam nas religiões, como o determinismo teológico agora é seguido pelos cientistas.
Mas esse determinismo radical é diferente? É sim, porque começa a excluir a causalidade da equação e as conseqüências são as mesmas de religiões ou religiosos radicais. Aí fica difícil…
O que também me deixa um pouco preocupado é que no caso dessa pesquisa, são os integrantes do departamento de psicologia que estão conduzindo isso e vão acabar reduzindo a psicologia a um simples cérebro mecânico, um HD que quanto estiver com algum problema é só “consertar” como se um ser humano fosse uma máquina simples e não complexa como é.
Com esse tipo de determinismo, se um cientista decifrar todo o seu código genético ele vai se transformar em uma espécie de Deus, ele vai dizer com qual molho você prefere a sua lasanha por exemplo! Ele vai saber como você vai reagir a um problema emocional.
Eu não estou gostando desse deus, acho melhor ficar com o outro, pelo menos até hoje não tive contato com ele, e não quero um deus com quem posso cruzar na rua. Ou pior ainda, com algum discípulo desse deus que carrega “Deus: Um delírio” de Richard Dawkins debaixo do braço que vai me parar na rua tentando me convencer da “palavra”!
Tags: dawkins, determinismo, deus um delírio, genética, generosidade










Comentários:
Bom.. não achei o artigo em questão no site indicado, e a matéria da folha foi muito crua. Bom, não acredito que os pesquisadores em questão pensem que somos apenas robozinhos de nossos genes. O aprendizado é uma parte muito importante do que somos.
Nada mais normal que encontremos substâncias que regulem determinadas atitudes. Mas como pouquissima coisa no cérebro é regulada apenas por uma substância (ou um gene), sua sugestão de que alguém sem tal gene seria um eterno egoista é bastante remota.
Olá Renan, suas respostas sempre acrescentam algo, isso é bom. Não sugeri nada de fato, só fiz uma ironia com relação a forma que essas pesquisas são divulgadas, com um certo sensacionalismo, afinal tem que vender não é?
A ciência vem me preocupando muito ultimamente. Parte da culpa do meu surto é a forma como os pesquisadores encaram seu trabalho.
A ciência também tem seus podres. Acredite: FEDE!
Thera,
Pelo menos a maioria dos cientistas tem a tendência a adimitir isso e tomar banhos periódicos.
Outras areas (que não pretendo nomear, mas que o evandro deve saber^^) costumam ficar eternamente passando perfume francês para disfarçar o fedor.
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