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Parem o Mundo

Profanity Positively Forbidden — Shut Up or Get OUT


Alguns ateus não vão para o inferno

Eu entendo quando dizem que Deus está morto, e como entendo! É um pouco difícil para alguém como eu que me considero um religioso viver no mundo atual.

Não é muito fácil. Quando lemos demais, quando passamos a estudar várias religiões e entendemos o mínimo de ciência fica complicado.

Quando alguém se torna cético é por várias razões, isso não torna um ateu uma pessoa ruim, quem te disse isso? E quem te disse que religiosos são santinhos? Nenhum dos dois é mais inteligente que o outro…

Eu não sou ateu, me considero um grande curioso que nada descarta e não considero ninguém inferior a mim só porque pensa diferente.

Mas o que é ser religioso afinal?

Se for para seguir dogmas e “leis” então não sou religioso…

Se for para acreditar que a consciência humana continua depois da morte e que dogmas nada mais são que criações para simples controle, então eu sou religioso.

Se for para acreditar que Jesus era filho ou o próprio Deus reencarnado para nos livrar dos nossos pecados, então não sou religioso.

Se for para ver Jesus como um ser humano que revolucionou a forma como até hoje pensamos moralmente, como Platão por exemplo, então eu sou religioso.

Se for para acreditar em um Deus vingativo, raivoso, temperamental e que prefere uns e deixa outros de lado, então não sou religioso.

Se for para pensar em um Deus ou uma força que em nada interfere e que mesmo que não exista na realidade não importa muito, pois o que existe é o amor e a bondade, a conduta moral correta, tudo isso pode ser chamado de Deus, se for para ver dessa forma em que o ser humano é responsável por seus atos, para o bem ou para o mal, então eu sou.

Se for para ir até uma igreja ou centro religioso qualquer para que os outros me vejam indo e pensem “Nossa ele é uma pessoa boa”, então não sou religioso.

Se for para entender as seguintes palavras:

(Nesse momento peço para quem é cético que esqueça do uso leviano que fazem do que Jesus disse, leiam somente as palavras sem preconceito)

E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.

Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.

E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos.

Me diga, quem não torce por amigo que está doente ou que está com um grande problema? Quem não deseja que um filho ou parente se recupere? E quem disse que isso não é rezar? E mais, quem disse que é preciso ir até uma igreja para rezar? E quem disse que para rezar é preciso acreditar em Deus?

Sendo assim, se for para ajudar meus amigos, torcer por eles, desejar para eles o melhor que existe no mundo, então eu sou religioso.

Nós precisamos entender de uma vez por todas que religiões não podem servir para buscar poder, dinheiro, aceitação social, dominação mundial, nem ser usada em nome de guerras, por vaidade pessoal ou por medo.

Esse nosso mundo é novo, começamos a pensar realmente por volta do ano 1.700, antes disso só os filósofos gregos tiveram esse trabalho. É preciso também admitir que nem cientistas nem religiosos possuem a verdade absoluta.

Nos achamos muito espertos e evoluídos e não conseguimos ainda deter a fome no mundo, temos teorias mirabolantes para o início do universo, mas não conseguimos resolver problemas concretos que assolam o mundo.

Quando entendermos que todas as religiões falam sobre a mesma coisa, que as perguntas hoje feitas por cientistas são as que a humanidade, através das religiões, sempre procurou pela resposta.

No fundo todos procuramos pela mesma questão única, quem somos, para onde vamos e de onde viemos. Se juntos fizermos essas perguntas sem julgar o outro ou sua opinião chegaremos à resposta.

Separados só vamos discordar e nos aborrecer sem chegar a conclusão alguma.

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Comentários:

  1. Toninho Moura |

    Independente de qualquer fé ou prática religiosa, penso que o mínimo que podemos fazer é, usando uma frase famosa, “Amar o próximo como a si mesmo”.
    Esta é uma premissa que facilita e resolve muitas coisas.

  2. Henrique Artur Wint |

    Já li algumas frases por ai que dizem, “Quando estamos à baira da morte, até ateu reza”.. Essa eu pagava pra ver.. eheh
    Minha mãe um dia me disse uma coisa que faz muito sentido, “embora a religião tenha sido opressora em demasia no passado, ela criou toda uma ‘moral’, que muitos obedeciam e ainda obedecem”. Talvez se não fosse isso, hoje em dia o mundo seria um caos, viveríamos de roubos e vandalísmos.. Eu acredito sim que a religião é um bem para humanidade, até certo ponto.

  3. Evandro |

    É Toninho, isso é o que acredito

    Henrique: escrevi o post no impulso… depois que li sobre um ator de filme pornô que virou evangélico de uma igreja com um nome estranho, não dou a mínima para a escolha de cada um, mas fiquei um pouco perturbado. Concordo que as religiões aprimoraram conceitos morais (até certo ponto) e o título um pouco irônico é sobre isso mesmo, já que para ser alguém correto é só ser correto, o resto é somente um nome que damos para as coisas.

  4. Carlos Magno |

    Evandro:

    Bem feito para alguém que tenha dito que você é simplesmente mais um religioso. Agora vai saber o que você tem a mais na cabeça e no coração.

    Só queria ver a cara dele depois da leitura.

    Abraços.

  5. Evandro |

    Caro Carlos, não foi esse o caso :) Mas sua observação foi interessante

  6. Marcos A.T. Silva |

    Ótimo post.

    Confesso que já passei por diversos “períodos” em minha vida, e até por períodos em que não acreditava em nada, até cair no “atual período”, onde não pratico nenhuma religião mas acredito que haja um “algo mais” por aí, chamem este “algo mais” do que quiserem: Deus, Criador, Mantenedor, Força criadora, etc.

    Sempre me perguntei se tal criatura/ser/consciência estaria preocupado (ou se teria condições de estar) com o que nos acontece, e se as preces têm valor,e até que ponto. E a conclusão a que cheguei é que somos muito pequeninos para isto. Pode ser até um pouco pessimista, e pode ser que eu mude minha maneira de pensar com o tempo e com o conhecimento que vou adquirindo aos poucos. Mas, enfim…

    Uma das formas de “crença” que acreditei até há algum tempo atrás, abandonando-a após inconsistências que encontrei, era o Panteísmo. Mas a idéia de que não somos nada mais do que “parcelas” de uma certa divindade não me soa prática, lógica ou correta. Senão, onde estaria nosso livre-arbítrio, e de que adiantaria muitos dos nossos esforços se ao morrermos seríamos reincorporados à tal divindade?

    A própria palavra “religião” devira do grego “religio”, que se refere a conceitos rígidos e precisos, ou seja, nada condizente com as necessidades atuais de nosso “mundo moderno”.

    Agora, que essa rigidez, rigorozidade e precisão foi muito utilizada no passado (e no presente) de forma perniciosa, isto foi.

    Não sei, acho que sou um eterno questionador, e ainda não “me encontrei”…rsrs

    Abraços!

  7. Carlos Magno |

    Evandro:

    Fui fazer gracinha e apanhei de minha própria metáfora. Não foi esse o ponto, claro.

    Achei seu pensamento apropriado para farta meditação.

    A eterna dualidade como quer que se apresente!

    Foi muito boa a abstração e a transcendência ao que se entende, rotula ou até mesmo se discrimina da religião e do religioso.

    Os valores exemplificados nas suas proposições, segundo entendi, demonstram alguns diferentes e ambíguos pontos de um objeto sagrado para uns, acidental e utilitário para outros, ou nada compreendido para tantos — para não dizer, nesse último caso, eivado de hipocrisias!

    Talvez fique ainda lhe devendo.
    Abraços.

  8. Evandro |

    Carlos, me desculpe, eu que não entendi o que escreveu rsrsrs agora relendo é que percebi! Penso que quanto maior for o radicalismo ateu ou religioso mais propício fica o terreno para mudanças, porque quando um pensamento se torna radical começa a morrer e dá espaço para uma evolução, os teimosos que fiquem para trás…

    Marcos: acho que o importante é continuar acreditando, em que não sei dizer, pode ser na humanidade, na vida, no nosso trabalho ou família, ter um propósito. Religião também pode significar religar, já muda um pouco não é? :)

  9. Marcos A.T. Silva |

    É verdade, Evandro. Acho que a “fé”, e não só no sentido religioso, é algo importante e que deve ser levado em conta. Se não acreditarmos nem nas pessoas, nem em nós, nem em nada mais, aí tudo está perdido…rs Mas um dia a gente se encontra com aquilo que nos fará bem.

    Grande abraço!

  10. Tiago Matias |

    Nos cultos que frequento com a minha namorada (ela é evangélica, eu não) vejo que os crentes estão lá para ‘renovarem as forças’ pois acreditam que o capeta está a todo momento tentando tirá-los do caminho. Então na igreja eles recebem de Deus a força que precisam. Não sei o que pensar… várias vezes pedi forças… várias vezes não fui atendido… mas quando algo de bom acontece eu me pergunto: foi conicidência?

  11. Fernando Cury |

    hahahah

    Assuntos como esse são eternos, assim como as discussões sobre os mesmos. Não levanto bandeira mesmo porque não careço disso, mas sou religioso e sigo um doutrina. Creio num Deus que é o princípio e parte constante de nossas vidas pois nós somos nada mais e nada menos do que um fragmento disso, dessa luz. Sendo assim, creio no ser humano e em seu potencial. Creio no bem e no que isso pode trazer pro coletivo. Não acredito também, meu bom amigo, num deus que enfurecido, castigue e mande alguém prum suposto inferno. O inferno é um lugar que o ser humano criou pra outros temerem, assim como infelizmente usam Deus para isso… pro medo coletivo.

    Se existir um inferno, então quem usa o Divinásso (sim, sou íntimo), pra botar medo nos outros são os que vão diretamente pro centro do buraco do inferno! hahahahah (satânico isso, não?).

    E no mais, se cada um na sua doutrina e caminho chegar a um ponto que favoreça o mundo, os homens e todas as coisas, pra mim tá no caminho certo, e nesse homem acredito!

    E tenho dito!!! rs

    []s

  12. Evandro |

    Tema religião é difícil mesmo, próximo post sobre isso só daqui uns 3 meses ;)

  13. Santaum |

    O tema religião é muito pessoal, individual, unitário. Pode reparar que discussões religiosas, seja entre céticos e religiosos, ateus ou taoistas, seja o que for, um tenta impor ao outro o seu pensamento. E por mais que, por outro lado, um respeite o outro, sempre há uma discordância, pela unitariedade da sua convicção.

    Por isso, hehehhe, concordo com o seu post em quase tudo.

    Grande abraço e seu blog é muito bom! Está adicionado nos meus feeds…

  14. Evandro |

    Concordo com você, é muito pessoal, e gosto das discussões. Agora quando alguém tenta enfiar pensamentos na cabeça do outro, aí para mim é o começo do fim da discussão… É igual quando o Papa adverte sobre “a sedução” da Ciência, ele não está mais querendo conversar e aí fica complicado. Obrigado pelo elogio! Mais leitores é o que nos move e nos dá mais vontade de escrever não é? ;)

  15. Canedo |

    concordo inteiramente quando tu diz:

    “Quando alguém se torna cético é por várias razões, isso não torna um ateu uma pessoa ruim, quem te disse isso? E quem te disse que religiosos são santinhos?”

    Ao se assumir como não-cristão, sou visto como um “satânico” que sou uma pessoa ruim, que pode matar qualquer um, fazer coisas horríveis e talz. Acho isso uma grande babaquice, minhas idéias são diferentes, mas sou humano igual a vocês!
    É igual uma vez que surgiu uma moda de que RPG é coisa do demônio e faz as pessoas cometerem crimes.
    lembro que havia uma frase entre nós RPGistas:

    “Quem joga RPG é jogador
    quem mata é assassino”

  16. Evandro |

    É Canedo, a gente ainda precisa entender que as pessoas são o que elas fazem no seu dia-a-dia, como são on seu íntimo, o que fazem pelos outros ou o que deixam de fazer, é aí que está a essência da pessoa. Enfim, existem sempre ótimas pessoas independente de suas crenças, pelo menos é como eu vejo.

  17. Dalmo |

    Olá, parabéns pelo blog… Gostei da forma como os assuntos são abordados, já está adicionado no meu leitor de feeds.

  18. Teresa Santos |

    Carlos, se vamos orar por alguém ou por algum problema que enfrentamos, temos que orar a Deus, senão estaremos orando à toa. Outra coisa: As pessoas acham que Deus e religião tem tudo a ver, isso é uma mentira porque Jesus não veio a esse Mundo para pregar religião e sim a salvação.

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