O filme Rei Leão e os mitos eternos
Esse artigo estava gigante, o assunto é vasto, desafiador e intrigante. Achei melhor cortar algumas (muitas) partes e deixar a idéia geral. No final do texto colocarei referências para quem quiser pesquisar mais.
Quem tem filhos sabe, Rei Leão da Disney não pode faltar na prateleira. Minha filha assiste esse filme desde que tinha menos de 2 anos, hoje com 8 ela ainda se empolga com ele, mas por qual razão isso acontece, o que tem de tão especial?
Mitos, arquétipos, e problemas e soluções morais eternas, isso é o que atrai até adultos como eu já que sempre que escuto a música do início do filme lá vou eu dar só mais uma olhadinha e quando percebo já vi metade do filme.
Essa música de início se refere ao Ciclo da Vida, como a Roda da Vida da Índia ou como o próprio funcionamento da natureza. Cada um observa e entende de acordo com suas crenças, uns chamam de Gaia, outros de seleção natural e comparam o planeta com uma máquina, cada um seguindo uma metáfora.
Não se espante! O conceito de máquina é sim uma metáfora, só que tirada de invenções humanas, quando por outro lado, outros mitos e metáforas mais antigos saíram do processo de entendimento da vida que todos nós buscamos.
A história do filme Rei Leão tem seu início com Christopher Vogler, que escreveu um guia chamado: The Writer’s Journey: Mythic Structure For Writers.
Vogler se baseou no livro “O Herói de Mil Faces” de Joseph Campbell e desenvolveu esse guia que mostra como escrever uma história usando arquétipos que estão contidos em todos os mitos.
O filme é claramente baseado em Hamlet de Shakespeare, só que há muito mais por trás disso, mesmo porque Hamlet também possui sua alta cota de arquétipos e personagens mitológicos.
Um jovem príncipe tem seu pai assassinado pelo tio que ainda se casa com sua mãe e se torna rei, um fanfarrão na verdade. Oras isso é parecido com o mito antigo dos egípcios de Osíris, que é morto por seu irmão Seth, as mudanças são no parentesco, em alguns fatos que ocorrem em um e não no outro e em detalhes temporais da narrativa, a base de traição em família, usurpar o trono do rei e o posterior renascimento/ressurreição.
O Rei Leão, Mufasa é o Deus Sol, Osíris, Simba é Horus e Scar é Seth, e mesmo não sendo idêntico ao mito o que importa é a base e o efeito que isso causa em quem escuta a história.
Rafiki, o babuíno. Rafiki é o sacerdote, o xamã, o pastor, o padre da pedra do Rei. No início do filme ele batiza o recém nascido Simba, ele unge a testa dele com o líquido de uma fruta, depois o pega no colo e levanta ao alto, perceba que o sol derrama seus raios no jovem príncipe, ele é o filho do Deus Sol.
Rafiki também faz previsões e se comunica com os mortos, quando no meio do filme leva Simba até um local estranho, a música de fundo é uma típica música de transe, Simba passa por espinhos, um caminho tortuoso (lembra Luke Skywalker no pântano com mestre Yoda) seguindo Rafiki que tinha lhe dito que seu pai vivia, quando ele chega ao local o babuíno sacerdote lhe faz olhar em um espelho de água e lhe passa a mensagem: “Seu pai vive em você”.
Depois aparece Mufasa vindo do meio das nuvens e diz algo como: “Você esqueceu de mim meu filho?” “Lembre-se quem você é”
É quase impossível não associarmos isso com Jesus, em Mateus capítulo 3 aparece isso:
16 E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. 17 E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.
Não quero dizer que é a mesma coisa, não me entenda mal, o que importa de fato nessas narrativas, como o Rei Leão, são as emoções que nos causam. Uma criança de 8 anos que nada sabe sobre a bíblia se impressiona da mesma forma, essa é a maravilha dos mitos!
Simba por sua vez, depois que seu pai é morto por Scar, foge e adivinhe para onde? Para o deserto é claro! É onde estão quase todos os futuros heróis, lembra de Luke Skywalker? De onde ele sai?
São referências, arquétipos que nos fazem lembrar de algo mesmo que nem saibamos da história direito, é como se isso estivesse em nosso inconsciente, mas isso é outra história.
O pequeno Simba então se encontra com os divertidos Pumba e Timão, que vivem sem regras e sem responsabilidades, as perfeitas crianças, seriam Id e Ego? Não sei dizer, para mim importa de verdade é o efeito.
Pumba, o javali é influenciado visivelmente pelo suricate Timão, os dois foram rejeitados pelo mundo e Timão tem como lema de vida Hakuna Matata, sem problemas ou sem preocupações como a vida de uma criança, por isso as crianças adoram os dois personagens.
Mas existe algo ali, Timão que se considera o mais inteligente não é tão inteligente assim, perceba no filme que todas as idéias boas, as melhores definições das coisas vêem de Pumba.
Em uma parte estão os 3 (Timão, Pumba e Simba) deitados olhando as estrelas, timão diz que as estrelas são vaga-lumes que ficaram presos “naquela coisa preta lá no alto”.
A visão de Pumba é científica e a mais correta, já Simba dá um caráter religioso ao céu estrelado, em que cada estrela é um rei morto olhando por nós, de acordo com o que seu pai lhe ensinou. Pronto, as 3 definições estão aí, escolha a sua ou junte todas. Assim é na nossa vida não é?
Scar é o vilão da história e esse personagem me incomoda um pouco devido algumas referências estranhas. As referências em torno desse personagem incomodam.
Note que Scar é a figura do mal encarnado, ele é Hitler, ele é o diabo em pessoa, sua missão é destruir tudo que existe de bom. Vejam as “coincidências” que estão no filme:
Olhe essa imagem… o que isso te lembra?
Seria isso…
E isso?
Até aqui tudo bem, Hitler foi uma pústula na história do mundo e associar o mal com ele é bem fácil, só que pense agora a respeito dessa imagem:
Esse é Scar, cercado por hienas no alto e com uma lua crescente atrás dele, o que essa lua te faz lembrar?
O Islã! É um dos símbolos do Islamismo 
Não sei se estou vendo demais, se for o que estou pensando é desrespeito e uma forma de preconceito subliminar ou sei lá o que mais… é mais um tema para alguma boa teoria da conspiração,vamos deixar isso para lá.
Quanto aos mitos, foram essas as semelhanças que notei, e o importante de um mito é não julgarmos a sua história e tentarmos ver quais as mensagens que eles querem nos passar. Os fatos fantásticos e sem lógica precisam ser colocados de lado, a essência deles é que precisa ser observada.
E se a história, mesmo que fantástica, trás algum bom ensinamento não podemos simplesmente descartá-la, essa é a beleza desses mitos eternos e é isso que eles nos ensinam.
O que gostaria de deixar aqui para vocês é isso. Se alguém notou mais alguma referência pode deixar um comentário!
Um artigo meu mais antigo sobre metáforas e mitos: Leia aqui.
NOSSA ficou grande esse artigo, só que não tem jeito, é isso mesmo e olha que era bem mais :)
Símbolos Religiosos: link
Imagens via
DVD:
Documentário: O Poder do Mito - Duplo - Joseph Campbell
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MANDE MAS CONTEUDO
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