Até em mesa de pôquer dá para discutir sobre etanol
Eu jogo Poker (ou pôquer) e converso muito com o pessoal da mesa, tem um chat que dá para você interagir, ou irritar seu oponente. A maioria dos americanos que conversei nos últimos anos foram educados e curiosos a respeito do nosso país.
Esse comportamento mudou. Tudo bem que eu tenho uma certa facilidade para me meter em confusão, tem hora que eu falo demais e algo sai errado, só que eles mudaram.
Outro dia fiz um comentário sobre uma música do REM “Shiny Happy People” que toca no filme do Michael Moore (Fahrenheit 9/11), lembram?
Rapaz! Para que eu fui fazer isso, saiu do controle e por mais que eu tentasse consertar pior ficava e como ficava muito pior entrei na dança e falei um monte de coisas que eu achava que eles precisavam ouvir. Eles ficavam me chamando de mexicano, seria isso algum tipo de ofensa?
Piorou quando eu disse que o Brasil era a Nova Roma e que não via a hora deles implorarem por um visto para vir trabalhar por aqui já que o país deles vai afundar, eu sei que exagerei nessa… :)
Só que quando você é ofendido por gente dizendo que vivemos em árvores igual macacos a sua paciência acaba.
Teve um cara que me disse que eu estava incomodado com os americanos porque eles estavam lutando no Iraque: “we are fighting e blá blá blá”, então eu disse pra ele:
“Me desculpe meu amigo, mas você está jogando poker, os soldados estão lutando lá, não diga NÓS quando VOCÊ não faz parte”
Pronto… lá se foi meu chat. :)
Hoje consegui entender uma das razões deles estarem tão nervosos. Procurando por um vídeo sobre etanol acabei encontrando um monte deles criticando o Brasil. Em parte por causa daquela declaração da ONU sobre biocombustíves eu imagino.
Cheguei nesse artigo da Time e já deu para notar que eles estão muito preocupados conosco. Nas palavras de um sujeito lá “It’s like witnessing a rape.” o se referir ao desmatamento, talvez ele lembrou do estupro em Samarra, só pode ser.
O controle de desmatamento no Brasil está muito aquém do ideal, só que isso é um problema nosso! Alertar, se preocupar é muito válido, mas repito: Isso é um problema nosso!
E agora que estamos só começando a crescer, pelo menos um pouco, será montada uma patrulha para colocar a culpa da fome mundial no nosso etanol?
Sabia que 4,8 milhões de hectares de cana estão plantadas nesse momento, muito? O Brasil possui 850 milhões de hectares, desse total gigante 436 milhões estão cadastrados no INCRA, somente 1% é de cana-de-açúcar…
Além de que o plantio da cana exige uma rotatividade de outros tipos de plantações até onde eu saiba, por isso que ela é tão interessante financeiramente e até em termos ecológicos, principalmente quando ela não é queimada.
E não, eu não sou produtor de cana.
O que me irrita é que agora que chegou a nossa vez (ou assim parece), também é a nossa vez de ter que comprar um pouco de amor. O problema é que eu não tinha tantas fichas assim :)
Let´s buy a lot of love baby!
Um garoto entediado lendo o artigo, um típico americano comum muito entediado.
Acabei de ver nesse blog aqui essa notícia sobre o potencial brasileiro, encontrei depois que terminei esse artigo, os dados são interessantes.
5 Responses to Até em mesa de pôquer dá para discutir sobre etanol
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E mais, temos mais de 100 milhões de hectares improdutivos. Ou seja, terras desmatadas que não estão em uso. Ou melhor, essa afirmação de que os biocombustíveis comprometem a fome no Brasil é infundada. Outros fatores que corroboram para a fome no país e no mundo. Estranho, hã?
O nosso desmatamento é preocupante, mas lembremos que vários países do primeiro mundo já foram desmatados há alguns anos.
Estou achando interessante que até a ONU entrou com essa conversa sobre os biocombustíveis. Eu não consigo compreender um país que incentiva completamente o consumo como os EUA (nesses dias promoções do governo aconteceram para acelerar o consumo dos habitantes, incluindo carros com combustível derivado de petróleo) reclama disso. Talvez alguma estratégia mercadológica para não desviar o mercado de petróleo, que é por sinal bem significativa nesse país.
Complementando, também acho lamentável esse negócio de fronteira.
Sei que é impossível e as consequências imperalistas foram devastadoras, mas sou bem idealista e acredito com bastante ilusão que o mundo seria melhor sem fornteira e mapas políticos.
Grande abraço.
Sim, Santaum, o mercado do petróleo pode ser uma bomba relógio, muita grana gira através de países que produzem petróleo não só para comprar Iphone, mas sim para comprar Arsenal de Guerra, esse é grande problema. Arábia Saudita vai investir 31 bilhões nesse ano, e se você observar a lista no link que vou deixar abaixo, dos maiores gastadores em armas, uma boa parte é de produtores de petróleo… e quem produz armas?
http://tinyurl.com/mg8y8
Como diria Obelix: “Esses americanos são loucos”!
Bem lembrado Toninho, bem lembrado!