A prova viva de que estudar em Harvard não te deixa mais esperto
Me lembrou do Dwight Schrute, sei lá…
Estive lendo a entrevista de Olivier aqui e tudo estava caminhando bem até que ele solta essa:
Nós devemos, basicamente, não avançar nesse setor.
Referindo-se aos biocombustíveis. Ele é advogado formado em Harvard, professor da Universidade de Columbia nos EUA.
Nunca entendi porque advogados se metem em administração, principalmente a pública. No Brasil isso é muito comum.
Em um artigo de 1990, Stephen Kanitz escreveu sobre isso (nem sei como me lembrei desse artigo).
O título é Faltam Engenheiros No Governo, um ótimo artigo. O trecho que nunca me esqueci foi esse:
Os seres humanos se dividem em dois grandes grupos: os quantitativos e os verbais. Os primeiros são bons em números, e os segundos, hábeis na fala. É a grande divisão do ensino: exatas versus humanas, clássico versus científico. Os bons de fala irão tornar-se advogados, jornalistas, sociólogos, economistas governamentais, políticos. Tendem a ser românticos e de esquerda, a acreditar na autoridade da palavra e nas soluções de cima para baixo. Os bons em números irão tornar-se engenheiros, cientistas, químicos, empresários, contadores, administradores. Tendem a ser pragmáticos, apolíticos e a acreditar nas soluções de baixo para cima. Falam mal, escrevem pior ainda, têm pouca influência política.
Claro que existe um pouco de exagero ao separar as pessoas dessa forma, mas é uma opinião interessante.
Após 18 anos me lembro desse texto de Stephen Kanitz, estou velho sim. Lembrei depois de ler a frase de Olivier, advogado, que é relator especial da Organização das Nações Unidas para o Direito à Alimentação falando essa bobagem sobre congelar investimentos.
Nada contra advogados, entenda bem! Mas será que um administrador, um empresário ou um engenheiro não seria mais apropriado para ser relator especial de uma crise de alimentos que precisa ser administrada?
É o mesmo que colocar uma psicóloga no cargo de ministra do Turismo… Just Politics
Um administrador nem cogitaria em mencionar algo tão absurdo como congelar investimentos aqui no Brasil no mercado de etanol.
Talvez por ele ser belga e seu país estar 300 anos na nossa frente ele pense assim. Na Bélgica falta alguma coisa? Talvez só carnaval, porque educação, saúde e renda tem de sobra.
Vai sonhando Olivier, vai sonhando…
Tags: biocombustível, congelamento, investimentos, olivier de Schutter











Comentários:
Olivier está lendo bastante os jornais americanos. Além disso, está defendendo o país dele na sua argumentação.
Essa coisa de faculdade é um pouco paradoxal. Veja: eu estudo na Unicamp, que muita gente fala que é uma faculdade renomada. No entanto, eu escrevo muito mal apesar de ser doutorando e nem por isso tenho a obrigação de fazer o contrário.
Mas de qualquer maneira, a colocação do Olivier é negativa para os brasileiros e infundada, pois os biocombustíveis, pelo menos aqui no Brasil, não comprometem de maneira alguma o que eles estão alegando: a questão da fome.
Grande abraço e ótimo post.
A questão da faculdade. Usei esse título no sentido de chamar a atenção mesmo para o assunto. As pessoas têm uma tendência em qualificar uma pessoa de acordo com o nome de onde estudou, o carro que tem e etc :)
Sim, sem dúvida, sem dúvida. Infelizmente, isso é bem comum.
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