Sobre bebida alcoólica, direção e cigarros
Estou matutando aqui.
Se a Abrasel (Ass. Brasileira de Bares e Restaurantes) pode declarar, segundo a notícia, que a nova lei sobre bebidas alcoólicas e direção está:
…ultrapassando limites do estado de direito democrático, ferindo diversos princípios constitucionais…
Por que eu não posso fumar em um shopping ou outro local público fechado?
Na ação proposta pela Abrasel foi pedido a inconstitucionalidade de artigos da lei:
“por desrespeitarem os princípios de razoabilidade, proporcionalidade, individualização e isonomia, previstos na Constituição Federal”
E os meus direitos onde estão? Ah! Eu faço mal para a saúde de outros, seria isso? Fumantes passivos, não é?
E os motoristas e pedestres passivos que são destroçados por bêbados todos os dias nas ruas e rodovias do país?
Não consigo enxergar a diferença, mas é claro que deve ser algum problema meu, talvez eu precise de óculos.
Óculos para ver se algum dia enxergo corretamente a realidade e as indiossincrasias do povo brasileiro.
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Observando a fisico-química do negócio, o fumante fica no prejuízo pelos seguintes motivos:
- O primeiro deles é a sua propriedade física: o fumo emite gás na hora em que você fuma, enquanto um copo de cerveja, apesar de também emitir pequenos vapores, é um líquido. Isso, à priori, faz toda a diferença. Por que? O comportamento dos gases é completamente diferente do comportamento dos líquidos. Os gases difundem com mais facilidade e tendem a ocupar naturalmente o maior volume possível pelo simples fato de não apresentarem uma estrutura cristalina robusta como sólidos e líquidos. Ou seja, o gás que o fumante emite se difunde no ar pelo mecanismo da lei de fick de transferência de massa (pelas propriedades do gás) e chega facilmente nos outros que estão nos arredores. Ao contrário do líquido, que tem um comportamento volumétrico delineado. Além disso, é raro alguém jogar um copo de cerveja ou outra bebia alcoólica nos outros.
Pela consequência do comportamento do gás, temos um outro problema: álcool é basicamente uma mistura de álcool e água, enquanto o fumo tem arsênio, níquel, benzopireno (uma bomba cancerígena), cádmio, DDT, polônio 210, carbono 14, a famosa nicotina, benzeno (outra bomba cancerígena), cianeto hidrogenado, amônia, formol, CO, nitrosaminas, sulfito de hidrogênio, etc. Ou seja, o cigarro contém mais de 4500 substâncias fodidas.
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Como consequência disso, vemos que temos dois problemas, o álcool e o fumo. Sobre o álcool as soluções são diferentes. No caso do fumo, ou o cara para de fumar, ou fuma e não incomoda os outros pela propagação do gás, pois todos nós sabemos que faz mal. O gás funciona assim: ele tende a ocupar o maior espaço possível. Se for um volume de um shopping inteiro, ele tende a se espalhar e ocupar todo esse volume, se for uma sala, tende a ocupar uma sala. Se for no ar livre, a situação é mais fácil, o gás se difunde em volume infinito e consequentemente sua concentração diminui bastante.
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Resumindo, é por isso que não é interessante fumar nesses locais fechados. No meu caso e quase todas as pessoas que não fumam, o cheiro incomoda e quase todos reconhecem os malefícios das substâncias que estão ali presentes.
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Agora, quanto às bebidas alcoólicas, é outro problema grave. Sabe qual é esse problema? Além da legislação não ser rigorosa, não há limites para o seu consumo e ainda é modinha fazer isso em locais públicos como restaurante, etc.
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Post excelente, pois gera bons debates.
Grande abraço meu caro.
É uma merda porque isso é pura briga de interesses. Isonomia, que diabo é isso? Isso é uma ginástica retórica que significa “não queremos perder nosso dinheiro, eles têm que continuar bebendo”.
Taí uma maneira de mostrar o meu repúdio “ontológico” ao dinheiro: o que mais se está valorizando aqui é o dinheiro, não a saúde de ninguém, nem a segurança das estradas, nem nada. Só o bolso, o bolso, o bolso. E não há nem como culpar quem faz isso; não fosse assim, os bares iriam falir =/
Peterson: meu argumento é péssimo mesmo, se é algum ad absurdum ou não nem sei dizer, a idéia mesmo foi mostrar que se eu passo 2 ou 3 horas (argh!) dentro de um shopping sem fumar para respeitar a lei o mesmo vale para quem bebe e dirige. Quanto a repudiar o dinheiro não tenho esse sentimento, gosto muito de dinheiro. O problema do modo que vejo é: o que você faz para conseguir dinheiro? E quando vejo pessoas passando por cima de tudo que dizem acreditar em troca de dinheiro isso me causa náusea também e desse dinheiro “sujo” não quero 1 centavo…
Jaqueline: eu também acho, não é fácil, mas como ultimamente estou conseguindo grandes progressos na minha vida parar de fumar será o próximo passo :)
Essa lei precisa voltar a permitir o uso moderado de álcool, pois não há pesquisas claras que sustentem o que a lei enseja. Além disso se produz uma enorme caça às bruxas contra quem antes podia tomar o seu drink moderadamente sem ultrapassar os limites e perfeitamente voltar pra casa dirigindo o seu carro sem problemas.
O problema está no excesso de bebida. Isso sim deveria já ter sido rigorosamente fiscalizado. Não é agora que a tolerância é zero que os bafômetros novos deveriam ser comprados. Acho isso uma hipocrisia, eleitoreira e apelativa.
Além do mais, foi uma ação de um deputado federal do PSC ligado à renovação carismática. Acho que tem uma agenda por trás disso.
Os efeitos benéficos dessa lei, no meu entender, vem do aumento da fiscalização e melhoria do equipamento para fazê-lo.
Por outro lado hoje pude ver que os seguros de carros podem cair até 20% se continuar nesse ritmo de queda nos acidentes, que é 63% menor após o endurecimento no cumprimento da lei!
Essa redução deve economizar centenas de milhões aos cofres públicos de uma forma geral, acidentes custam dinheiro ao governo, acidentes com morte mais ainda.
A melhor forma de um governo economizar dinheiro é prevenindo doenças, acidentes e aumentando a qualidade de vida..
Quanto a fiscalização não tenho dúvida de que deve ser dura, com 0.8 ou 0.6, e quando você menciona a frase: “O problema está no excesso de bebida.” isso abre uma brecha para cada um tirar suas próprias conclusões sobre o que é excesso.
Oportunista e mentirosa a legislação que sem divulgar estudos claros sobre o assunto, sem fazer um amplo debate junto à sociedade, impõe alterações no código sem mencionar que o problema não poderia ser aferido antes pois não havia fiscalização competente. Não é? Também não é feito agora, pois não é divulgado com frequencia o nível de alcoolemia dos “embriagados” (generalizados na mesma categoria quem tem qq quantidade de alcool no sangue).
Sobre os outros efeitos de diminuição do preço do seguro, pode ser realmente a solução. Nós que gostamos de tomar 2 latas de cerveja por noite pq estamos dirigindo, podermos enfim pagar o taxi pra casa. Mas eu duvido muito que esse outro benefício pegue. Até pq não há interesse do governo em fazer nada nesse sentido. E garanto que as empresas de seguro não vão querer perder nada.
Continuamos nós sempre perdendo…