Mudança em um paradigma. Que tal uma explosão no paradigma?

photo credit: Andrew Seidl
Paradigma você sabe que é o modelo, o padrão. De vida, de comportamento e etc. Prefiro usar modelo e padrão, usam demais a tal “mudança de paradigma”, demais.
Mudar. Mudanças levam tempo, nada acontece em poucos segundos porque é um processo lento de conscientização de seres humanos que são naturalmente arrogantes, donos da grande verdade, arrogantes, vaidosos e teimosos. Só o teimoso que difere aqui, o resto é a mesma coisa, arrogância pura.
Agora te pergunto, como seria uma explosão em um modelo de comportamento, em um estilo e padrão de vida, se preferir, no paradigma? Como seria? E o que seria uma explosão?
(Me refiro a uma mudança em um grupo e não somente a uma pessoa)
Considero que uma explosão do modelo seria comparável ao que os judeus sofreram na 2ª Guerra Mundial, algo tão maluco, tão escabroso e sem lógica que em poucos meses o que era já não existia mais.
Um dia você está no conforto da casa ou em seu trabalho diário e no outro está amontoado em um depósito de pessoas, longe de sua mulher e de seus filhos que foram em outro trem para um campo de concentração diferente. Isso é um tipo de explosão, é uma enorme e terrível explosão!
(* O mesmo ocorreu com os escravos africanos, mas temos a tendência em sempre lembrar dos judeus porque ocorreu em uma época chamada de moderna, acredite, nós não somos tão modernos e desenvolvidos assim…)
Olha que interessante o que ocorreu com os astronautas do programa Apollo. Como você sabe esse programa levou o homem à Lua e com os astronautas ocorreu essa explosão. A maioria deles voltou com sentimentos e tendências espirituais mais afloradas, não estamos falando de religião! É de espiritualidade, alguns sentiram que estavam conectados uns aos outros, que faziam parte do todo e que o todo fazia parte deles.
Tat tvam asi - traduzido sânscrito: “Tu és isso” No momento em que nos identificamos com o todo e que tomamos consciência de que somos iguais e fazemos parte do mesmo processo sentimos o Tat tvam asi, os astronautas sentiram e é isso que considero uma explosão no modo de viver e pensar.
Algo similar ocorreu com a neuroanatomista Jill Bolte Taylor. Ela sofreu um derrame cerebral e o que sentiu se parece muito com o que os astronautas sentiram.
O que mais seria uma explosão? Se a gente pensar um pouco podemos encontrar várias, é só pensar em coisas absurdas e exagerar:
- Um asteróide em rota de colizão colisão (obrigado Sara! Nada como ter uma jornalista na família) com a Terra
- Uma ameaça global de aquecimento e derretimento de geleiras
Ou qualquer outro tema apocalíptico que você escolher. Muita gente morre, o planeta está lascado e etc…
Suponha, só suponha:
E se acontecesse algo mais bizarro ainda, algo quase impossível em que ninguém (a princípio) morreria? Sem tragédias, nem deuses descendo dos céus para nos salvar. Imagine que um dia visitantes de outro planeta cheguem até aqui, desçam no nosso planeta para todo mundo ver e falem o seguinte:
Nós precisamos falar com vocês. Gostaríamos de conhecer vocês e também que nos conheçam…
Só isso, sem guerras, sem grandes revelações divinas, só conversa. O que será que aconteceria? Nós mudaríamos nosso comportamento em que sentido? Sei lá, são só perguntas que me surgiram depois de ver esses vídeos hoje:
http://au.youtube.com/watch?v=CtUe8f9L0_o
http://au.youtube.com/watch?v=1fTLzrIU_BU&feature=related
http://au.youtube.com/watch?v=_8jiSFNmTms&feature=related

E a pergunta final: Precisamos experimentar processos traumáticos, bons ou ruins, para podermos mudar nossos modelos? Será que ao invés de ficarmos esperando por situações extraordinárias poderíamos alcançar esse sentimento espiritual (não é religião!) tão nobre que faz parte de todos nós?
De Schopenhauer em Sobre o Fundamento da Moral: “Como é possível que o sofrimento que não é meu, nem de meu interesse, possa afetar-me imediatamente como se fosse meu, e com tamanha força que me impele à ação?… Isso é algo realmente misterioso, que a razão não consegue explicar e para a qual não há base na experiência prática. Nem os mais frios e egocêntricos estão isentos desse sentimento. Vemos exemplos, todos os dias, de reações instantâneas deste tipo, sem reflexão; uma pessoa ajudando outra, correndo ao seu auxílio, às vezes até colocando a própria vida em perigo por alguém que viu pela primeira vez, nada mais tendo em mente além de que o outro está em perigo e necessidade…”
Gosto de Schopenhauer :)
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Comentários:
Você está muito filosófico hoje. Será que vai vir alguma mudança no post para que eu tenha algo de útil para acrescentar?
hahahaha Claro que não! :)
Hummm caralho. Sem palavras por enquanto. Muito bom o texto.
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