Claro, o cérebro é isso mesmo, um pedaço de massa em funcionamento. O meu problema com as conclusões desses estudos é que máquina é uma metáfora da mesma forma que a carruagem de fogo em que não sei quem sobre aos céus.
E mais, máquinas foram criadas pelo homem, então é uma metáfora elevada a terceira potência que está sendo usada por quem abomina metáforas :) Sei lá, acho isso muito interessante…
Nesse estudo da Universidade de Chicago foi mostrado que crianças sentem e mostram atividades em partes do cérebro quando observam alguém se machucando, nos adultos ocorre o mesmo.
O que eles descobriram de novidade foi que crianças, de 7 a 12 anos, têm outras áreas do cérebro ativadas ao verem pessoas sendo feridas por outras pessoas, essas áreas seriam ligadas à interação social e ao juízo moral, aiaiai, juízo moral, pronto… É agora que começa a confusão.
Reduzindo e reduzindo. Essa é uma das “faces” da ciência que não me agradam. Porque ao leitor comum, não vocês é claro, pode dar a impressão de que o cérebro cria o juízo moral, a moralidade e não é bem assim. Diversos fatores contribuem para desenvolver o juízo moral em uma criança. Piaget escreveu um livro só sobre isso e ele entendia de educação e desenvolvimento.
Para o pensamento científico exitem 2 instintos básicos que dariam vida à moral:
Sobrevivência do indivíduo de onde nasce o egoísmo no sentido de autopreservação e a sobrevivência da espécie que produz o sentimento de moralidade e por conseqüência a compaixão e etc. Simples demais para o meu gosto, tenho uma tendência para explicações mais complexas…(ou seria: explicações mais misteriosas que estão um pouco além, por hora, do nosso entendimento?)
Tem um outro livro fantástico de Umberto Eco e de Carlo Maria Martini (um Cardeal) em que trocando cartas eles debatem diversos assuntos, o que mais me chamou a atenção foi a Ética.
Em uma parte do livro chamado Coro, Vittorio Foa que é um teórico de extrema esquerda deixa sua opinião. Como não julgo pessoas pelo que elas dizem ser e sim pelo que escrevem vou usar as palavras dele que me agradaram:
No fundamentalismo a experiência religiosa se dissolve. O fundamentalismo está também nos não-crentes. O confronto não é entre crentes e não-crentes, mas entre modo de crer e modo de nao crer.
Sim é verdade que filosofia enche um pouco, eu também me canso. O que estou querendo dizer aqui é certos “profissionais da ciência” não podem colocar de lado milhares de anos de trabalho filosófico, de construção de crenças humanas religiosas ou não e de dezenas de milhares de anos de mitos e mitologias nascidas de seres humanos.
Os mistérios meu filho, os mistérios. É daí que nascem as grandes revoluções do pensamento humano!
Ou você acha que o ser humano atual é um primor de sapiência, que já descobriu tudo e que ainda vai dominar todas as galáxias? Sim, nós avançamos muito, mas não tanto assim a ponto de ter o ego tão inflado. Menos, menos… Ainda falta muito :)
Falta muito…
E quando tudo se resume à substância em uma massa cinzenta, sem tudo isso que a humanidade criou, a vida fica chata demais, e acho que é por isso que pessoas como Richard Dawkins estão sempre mal humoradas :)
O estudo você pode ver aqui (em inglês)
Um update bem interessante: http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0006-59432007000100012&lng=pt&nrm=is
Update para o jabá :)
Caso tenha interesse compre aqui o livro
Tags: Ética, carlo maria, cartas, Ciência, crentes, criança, crianças, dawkins, de carlo, Educação, filosofia, instintos, livro, maria martin, máquina, mitologia, mitos, moralidade, pensamento, pessoas, sentimentos, trabalho, umberto eco, vida


Tudo acontece no cébiro!
Uma pergunta:
Quanto custa o que você mais deseja?
Descubra no novo capítulo do “Fragmentos de um Romance”, intitulado “Nativity in Black”.
Braços!
Interessante!
Esse lance de ciência é interessante. Vejamos um caso clássico: Leibniz inventou no século 17 (há quase 400 anos atrás) os números binários. Na época, isso foi motivo de chacota por muitos em sua volta. Hoje estamos na era digital e não conseguimos viver sem os números binários.
E sobre a ciência em si, ela só vai se modificar se ela rir de si própria, o que já era imaginado por alguns filósofos já no século 19. E não tenho dúvida nenhuma que isso um dia vai acontecer.
Grande abraço!
É Santaum, bem observado, rir um pouco :)