A arte da escrita e a sutileza de um simples título

Para escrever bem e corretamente só existe uma fórmula: ler e escrever o tempo todo. E através dos erros e acertos que fazemos evoluir nossos textos. Obviamente que aprendemos muito mais com os erros porque errando precisamos pesquisar e ao pesquisar precisamos ler mais um pouco e aprender mais.

Quando nos acostumamos a escrever passamos para outra fase da escrita que é a da publicação, quer dizer, todos podem ler o que você escreveu, podem entender, criticar ou notar erros básicos que a gente nem percebe. Tudo bem, faz parte do aprendizado. Só que a grande descoberta que fazemos ao escrever na internet é que aprendemos como o internauta, esse ser misterioso e escorregadio, interpreta o texto publicado.

Para nos comunicarmos bem na internet não é possível escrevermos verdadeiros trabalhos acadêmicos que poucos lerão, não por falta de conhecimento, mas pela natural falta de atenção que a internet causa. Já reparou? Sempre tem algo nos chamando a atenção e CLICK!, lá se vai um visitante e leitor em potencial, um link só, um simples banner e lá vai ele :)

Toda essa introdução (que poucos lerão) é só para falar sobre um título em um artigo de jornal que acabei de ler, vejamos:

Carro a álcool polui tanto quanto os movidos a gasolina

Vamos analisar esse texto levando em consideração o leitor comum na internet. Já no título tomamos um belo susto e ficamos com essa frase na cabeça, assim na próxima ida ao buteco podemos soltar esse título de forma triunfante no meio da roda, se ninguém questionar então o título torna-se verdadeiro para aquele pequeno grupo de pessoas.

Se o leitor continuar sua leitura, no primeiro parágrafo terá a confirmação de que carros a álcool poluem tanto quanto os movidos a gasolina e que os carros de menor potência de motor podem poluir muito mais, mesmo sendo a álcool.

Sendo assim, esse nosso leitor imaginário absorve o título e o primeiro parágrafo e já está munido de informação suficiente para confrontar aquele conhecido seu que defende o uso do etanol em carros e lá vai ele triunfante de novo…

Estamos falando de carros movidos a álcool que poluem, correto?

Olha que interessante, o meu título “A arte da escrita e a sutileza de um simples título” e o meu primeiro parágrafo é o que podem ter trazido você até aqui, nesse canto da internet, e o que você procurava talvez fosse aprender sobre como escrever e acaba lendo sobre carros a álcool, aqui está a sutileza da coisa toda, percebeu? Não é enganação isso, que fique claro. Só quero mostrar como a coisa funciona.

Para finalizar:

Ao escrever um texto para a internet precisamos de certos cuidados. O primeiro e mais óbvio é a confiabilidade da informação, precisamos também escrever de forma clara, sem muito rodeio. A arte de escrever é a arte de cortar partes do texto. Importante também é fazer uso de recursos indispensáveis: links, comparações, analogias e o principal na minha opinião: destacar certas partes do texto porque isso chama a atenção do leitor para o que importa, claro que é o que importa na opinião de quem escreve.

Nessa nossa breve análise o que poderia estar em negrito nesse texto sobre carros a álcool seria a pequena linha solta no meio do texto:

Em relação ao CO2, um dos principais causadores do efeito estufa, o álcool, por ser renovável, tem suas emissões neutralizadas pela absorção de gases feita pelas folhas da cana-de-açúcar no cultivo da planta.

É isso, simples não? E agora me diga uma coisa, se o leitor não chega até essa parte do texto o que fica na mente dele?

Nota importante: não quero dizer com isso que a ideia do jornalista ao escrever o artigo foi a de enganar o leitor, pelo contrário! O problema está NO LEITOR da internet. É o que chamamos de “leitores de títulos” que só captam o título e as duas primeiras linhas do texto, então a mão do sujeito automaticamente rola a barra de rolagem do navegador e passa os olhos superficialmente sobre o restante do artigo perdendo, na maioria da vezes, informações muito importantes.

Nota 2: Esse texto ficou longo demais só que eu precisava escrever tudo isso e olha que eu cortei muito :)

Link: nota da UNICA

Internet Splat Map
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Viciados em petróleo

2+2 = 4 Isso é um fato.

Outro fato é que o petróleo vai acabar, além de se tornar um problema crescente até o seu final.

Estou vendo o dia em outros países solicitarão educadamente o nosso etanol da cana porque no ritmo que as coisa estão acontecendo comer cereais de milho no café da manhã será mais caro do que caviar.

O vídeo é um pouco exagerado em certas conclusões, para chamar a atenção talvez. Mas a realidade é essa mesmo, só precisamos ver onde isso tudo vai terminar.

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Etanol de novo, defensores e os outros

Defensores:

Pude ler no Adorador de Pão Sírio essa pequena nota que ele deixou por lá. Se refere ao artigo da revista The Economist que defende o fim das tarifas ao etanol brasileiro.

Os outros:

Daniel Ortega, presidente da Nicarágua foi mais radical que a ONU, disse ser completamente contra a produção de biocombustíveis. Que homem sensato!

O bom da história é que ninguém vai escutar Ortega, nunca escutaram. Já a The Economist é outra conversa.

Cual es el miedo
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Como o mundo vota na eleição americana

Obama e Mc Cain. Segundo uma pesquisa que encontrei nesse blog, o candidato Obama ganha no mundo todo de acordo com a pesquisa, o único país que está praticamente empatado é a Jordânia.

A questão é que quem decide é o povo americano e não o resto mundo.

via

Outras curiosidades:

Hoje pude ler que Obama vai manter a taxação sobre etanol brasileiro, o Mc Cain disse que quer acabar com essa taxa, juro que não entendi. Achei que seria o contrário, enfim…

Os americanos estão fazendo a maior confusão por causa desse cumprimento, chamado de “fist bump”, é só um toca aqui sabe? Como se fosse um aperto de mão, nada demais.

É usado quando se consegue uma vitória, um ponto ou uma boa jogada em vários esportes, entre amigos e etc.

photo via

Como já disse o Toninho citando o Obelix: “Os americanos são loucos” :)

A Fox News mencionou um cumprimento terrorista.

Veja a apresentadora da Fox News abaixo. Engraçado…

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Mortes no corte da cana. Já que é para falar de números

(Um número de mortes não justifica outro, só que eu não comecei isso, o Los Angeles Times que começou a contar primeiro. Talvez eu atualize esse post, só quero subir ele hoje para não perder a notícia do dia, foi uma correria danada escrever ele hoje.)

MayDay
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Hoje Ontem lendo um artigo do Los Angeles Times salta uma frase pequena do texto que me incomodou:

…dirty little ethanol secret:…

Segundo o artigo, 18 pessoas morreram no corte de cana-de-açúcar nos últimos 4 anos só estado de São Paulo, uma pessoa já seria muito! O ideal é que ninguém morra por trabalhar.

No Brasil, de 2002 a 2005, 312 cortadores perderam a vida, é muito!

E não é um segredo sujo, o jornal está enganado (?), é bem notório e noticiado em muitos veículos de comunicação. Essas técnicas de propaganda… “segredinho sujo”, ora tenha dó.

Onde tem algum segredo?

Existe muito abuso de trabalhadores no Brasil, só não acho justo usarem esse argumento para outros fins, e acredite, o bem estar do trabalhador brasileiro não é a preocupação dos donos do petróleo.

Essa preocupação é dos órgãos e instituições do governo brasileiro que precisam defender esses trabalhadores. E nós brasileiros que não podemos aceitar uma rotina de trabalho que pode causar uma morte.

Se formos pensar, também é muito em uma país super desenvolvido como os EUA, 131 mineiros morrerem de 2001 a 2007.

Na China, no ano de 2006 morreram 4.749 mineiros. E citando só dois países.

Na guerra do Iraque, por petróleo, já morreram 4.099 soldados e 30.333 foram feridos em combate.

Ainda no Iraque, um estudo do The Lancet calcula o fantástico e assustador número de 600.000 iraquianos mortos na guerra até 2006, homens, mulheres e crianças.

Outro estudo estima além disso, calcula um mínimo de 733,158 até o máximo de 1,446,063

Um milhão, quatrocentos e quarenta e quatro mil e sessenta e três pessoas

Sabe quantos casos anuais de doenças pulmonares em mineiros só nos Estados Unidos? 4.000.

Na China o cálculo é de 10.000 doentes por ano.

Dados e mais dados. Números e mais números. Isso é uma grande bobagem! Enorme bobagem!

Fato: O Brasil precisa encontrar meios em que ninguém morra trabalhando, o poder público precisa fiscalizar e punir culpados e ponto final. Isso é uma ação que o governo brasileiro precisa tomar para defender e proteger a integridade de brasileiros, chega de blá blá blá…

Porque a impressão que dá, quando todo mundo começa a repetir isso é a de que no Brasil todos os trabalhadores no corte da cana são mal tratados e não é bem assim.

Outro fato é que existe uma campanha clara contra o etanol brasileiro, não vejo problema nisso. O mercado age assim, ainda mais o mercado de petróleo. Já viu o filme Syriana? É briga de gigante isso, não é uma confusão entre garotinhos no intervalo da escola…

Será que não dá para ver a mudança geopolítica que está para acontecer? Quando países e continentes subdesenvolvidos e outros muito pobres são os que possuem as terras ideais para a plantação de cana-de-açúcar?

Brasil, América Latina, África, Tailândia, Indonésia, Vietnã, Malásia, Camboja e Laos.

Pense nisso, esse bando de país pobre com essa oportunidade nas mãos, de parar de importar enormes quantidades de petróleo retirado por empresas americanas em várias partes do mundo. Esse é o problema, eles não estão preocupados com a fome no mundo, nunca estiveram. Aliás é nesses países e continentes citados acima que está uma grande parte das pessoas sem alimento.

A cana-de-açúcar é um grande problema para quem vive de petróleo.

O que chega a causar uma certa irritação, é um jornal americano, ou mesmo um brasileiro, ficar dando tanta atenção para isso toda semana, sistematicamente, bombardeando e contaminando inclusive os meios de comunicação nacionais com essa besteira!

Por favor, faça campanha, mas sem hipocrisia vai!

Esclarecimentos necessários:

  • E eu não sou acionista de usina de álcool não. Só estou vendo que quando a oportunidade surge aos pequenos os grandes correm para tirar proveito ou boicotar e isso me irrita.
  • Não creio que o etanol salve o mundo do quer que seja, só acredito que é uma fonte de energia bem mais limpa que a porcaria do petróleo e do carvão, só isso.
  • Com o plantio de cana-de-açúcar quase tudo é reaproveitado, em breve tudo. Do bagaço é gerada energia para caldeiras
  • É possível fazer mourão para cerca com o bagaço de cana, escutei que tem pesquisadores fazendo vigas com o bagaço para a construção civil para substituir a madeira
  • A torta de filtro (um resíduo da produção) pode ser usada como adubo
  • A vinhaça (que é um liquido da produção) é usada para irrigar e ajudar na fertilização

fontes (links no artigo), se preferir:

http://www.latimes.com/news/nationworld/world/la-fg-biofuels16-2008jun16,0,2605521.story

http://www.msha.gov/MSHAINFO/FactSheets/MSHAFCT2.HTM

http://www.antiwar.com/casualties/

http://en.wikipedia.org/wiki/Mining_accident

http://www.justforeignpolicy.org/iraq/iraqdeaths.html

Para acompanhar o mercado de etanol e outras energias acesse o Portal Rede Energia com notícias do setor

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